Accessibility Tools
Recentemente, engenheiros franceses concluíram um feito pioneiro ao construir o Astrid, o primeiro reator nuclear capaz de reciclar seu próprio combustível, localizado em um complexo de alta segurança próximo a Marselha. Esse reator do tipo nêutrons rápidos não apenas gera eletricidade, mas também é projetado para queimar resíduos nucleares, transformando material perigoso em novo combustível, em um ciclo quase totalmente fechado.
O grande diferencial do Astrid é sua capacidade de reduzir drasticamente a meia-vida de isótopos de urânio e plutônio, convertendo resíduos de longa duração em elementos com vida útil de apenas algumas centenas de anos. O sistema utiliza sódio líquido como fluido de resfriamento, operando em pressão atmosférica, o que aumenta a eficiência e a segurança, evitando riscos associados a vapores pressurizados. Além disso, o projeto incorpora um sistema passivo de resfriamento, que mantém a segurança mesmo em situações de falha de energia.
Outro destaque do Astrid é sua capacidade de produção líquida de combustível, gerando mais material físsil do que consome. Isso significa que ele transforma o urânio-238 (antes considerado subproduto) em plutônio-239, tornando-se autossustentável e sustentável, ao mesmo tempo em que reduz significativamente o estoque de resíduos nucleares.
Enquanto muitos consideram o desperdício nuclear um dos maiores desafios da energia atômica, o Astrid oferece uma visão inovadora: o que antes era considerado lixo agora pode ser convertido em recurso, apresentando uma alternativa sustentável ao problema do armazenamento de materiais radioativos.
Especialistas observam que o Brasil, cujas usinas em Angra ainda não contam com soluções semelhantes, poderia se beneficiar dessa tecnologia para reduzir os impactos ambientais e os custos de longo prazo com combustível nuclear, seguindo o exemplo francês.
A comunidade internacional acompanha com atenção a evolução do Astrid, que promete redefinir os limites da economia circular no setor nuclear, alinhando-se às demandas por energia limpa e soluções ambientais mais seguras.
Fonte: Luiz Carlos M. Brandão Jr
Entre os dias 22 e 24 de outubro de 2025, Brasília será palco do 4º Congresso Brasileiro do Hidrogênio (4CBH2), evento que se consolida como o principal espaço de discussão sobre hidrogênio no Brasil. Promovido pela Associação Brasileira do Hidrogênio (ABH2), o congresso reunirá empresários, investidores, autoridades, especialistas e pesquisadores nacionais e internacionais, com o objetivo de debater os avanços, desafios e oportunidades no desenvolvimento da cadeia produtiva do hidrogênio.
Com o tema "No clima da COP30: Desenhos de Mercado, Demanda e Diversidade de Produção", o 4CBH2 propõe reflexões alinhadas às metas globais de descarbonização, destacando o papel estratégico do hidrogênio como vetor de transição energética e sustentabilidade.
A programação contará com painéis temáticos, sessões técnicas, espaço para networking e apresentação de trabalhos científicos e tecnológicos. Pesquisadores interessados podem submeter seus trabalhos diretamente no site do evento.
O 4CBH2 promete ser um espaço estratégico para o fortalecimento do setor de hidrogênio no Brasil, estimulando parcerias, inovação e políticas públicas voltadas à construção de um futuro energético mais limpo e eficiente.
Inscrições abertas:
Participantes associados e não associados AQUI
Submissão de trabalhos AQUI
Inscrição por meio de QRcode AQUI
Mais informações sobre o evento estão disponíveis AQUI
A partir de um manifesto técnico publicado no Jornal da Ciência, 25 pesquisadores de diversas instituições brasileiras ofereceram um esclarecimento aprofundado sobre os programas nucleares nacionais, destacando avanços, desafios e a importância estratégica dessa área para o país. No documento, elaborado de forma colaborativa, os especialistas enfatizam a necessidade de uma política nuclear integrada, que contemple não apenas a geração de energia, mas também aspectos como saúde, pesquisa científica, meio ambiente e segurança.
O texto ressalta o papel estratégico da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e de centros de pesquisa como o Instituto de Engenharia Nuclear (IEN) e o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), apontando que iniciativas como o desenvolvimento do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB) são fundamentais para a autonomia tecnológica do país. Os pesquisadores também destacam que o fortalecimento da infraestrutura brasileira para produção de radioisótopos e a consolidação de reatores de pesquisa próprios servem a múltiplos setores, desde a medicina até a indústria e a agricultura.
Além disso, o texto defende que o debate sobre energia nuclear deve ser amplo e transparente, incluindo participação acadêmica e social, para que se construa uma política de Estado consolidada, capaz de responder aos requisitos de segurança, sustentabilidade e desenvolvimento econômico.
Entre os aspectos técnicos mencionados, os autores chamam atenção para a importância de reatores nacionais, como o RMB, que possibilitam não apenas a produção de radioisótopos médicos e agrícolas, mas também a realização de testes de materiais e combustíveis nucleares sob altas doses de radiação, testes esses que o país ainda não possuía em escala local. Esse esforço evidencia a busca por uma independência tecnológica em áreas sensíveis e estratégicas.
O manifesto surge num contexto de rediscussão da política nuclear nacional, com a recente reativação do Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro (CDPNB), sob a Presidência da República, e a centralização do tema no âmbito de segurança nacional. Segundo os pesquisadores, essa articulação institucional abre caminho para ações mais coordenadas entre CNEN, IPEN, IEN e outros órgãos, promovendo investimentos e políticas que consolidem o setor.
O esclarecimento público dos 25 pesquisadores reforça a relevância da energia nuclear como vetor de inovação, autonomia e desenvolvimento sustentável no Brasil. A mobilização técnica e a perspectiva de uma governança fortalecida indicam que o país está construindo condições para ampliar suas capacidades nucleares de forma responsável e alinhada aos padrões internacionais.
Fonte: Jornal da Ciência
A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) está com inscrições abertas para concurso público de Professor Adjunto (40h semanais) no Departamento de Engenharia Mecânica, com atuação na área de Fenômenos de Transporte.
A vaga é destinada a profissionais com título de doutorado na área ou em áreas afins, com formação compatível com os temas de ensino, pesquisa e extensão vinculados ao campo de transferência de massa, calor e quantidade de movimento, fundamentais para a formação de engenheiros.
As inscrições e todas as informações sobre o processo seletivo, incluindo requisitos, etapas e cronograma, estão disponíveis no site oficial da universidade, por meio da plataforma Prossim/UERJ.
Essa é uma oportunidade para integrar o corpo docente de uma das principais instituições públicas de ensino superior do país, contribuindo com a formação de engenheiros e com o avanço da pesquisa científica na área de engenharia mecânica.
Inscreva-se até às 23h59 do dia 21/07 AQUI
Contato: This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.
Durante a 77ª Reunião Anual da SBPC, realizada entre os dias 13 e 19 de julho de 2025 no campus da UFRPE, em Recife, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) marcou presença com um estande interativo que destacou como a tecnologia nuclear está presente no cotidiano e contribui para transformar a vida das pessoas. A participação da CNEN levou ao público experiências imersivas, jogos virtuais, realidade aumentada, recursos audiovisuais e até uma “Cidade Virtual da Ciência”, aproximando a sociedade dos benefícios práticos da ciência nuclear.
A programação incluiu temas como medicina nuclear, conservação de alimentos, gemologia, espectrometria gama, estudos ambientais e aplicações da radiação em diversas áreas. Unidades da CNEN de diferentes regiões do país participaram ativamente da mostra. O Instituto de Engenharia Nuclear (IEN) apresentou maquetes interativas, incluindo o Reator Argonauta e simulações do transporte de urânio, promovendo reflexões sobre energia e segurança. O Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD) exibiu mochilas de detecção, cintilômetros e equipamentos utilizados em grandes eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, além de divulgar sua oferta de cursos na área de proteção radiológica.
O Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN) levou ao público quatro grandes temas: reatores, rejeitos radioativos, radiofármacos e radiação gama. A unidade demonstrou, por exemplo, como a radiação pode ser utilizada para esterilização de materiais, tratamentos de saúde e até na certificação de gemas. Já o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) apresentou inovações voltadas para a saúde, o meio ambiente, a energia e a mobilidade sustentável, como o uso de células a combustível e radiofármacos de aplicação clínica.
Além das experiências no estande, os visitantes puderam agendar visitas gratuitas ao Centro Regional de Ciências Nucleares do Nordeste (CRCN-NE), o que reforça o compromisso da CNEN com a educação científica e a aproximação entre ciência e sociedade. A participação da CNEN na SBPC 2025 reafirma seu papel na difusão da ciência e no uso seguro e pacífico das tecnologias nucleares, com foco em acessibilidade, inovação e impacto social.

Fonte: CNEN