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Nos dias 10 e 11 de setembro de 2025, a Associação Brasileira de Energia Nuclear (ABEN) promoverá um evento estratégico voltado ao fortalecimento e à valorização do setor nuclear brasileiro. O anúncio foi feito por meio das redes sociais da entidade e já mobiliza pesquisadores, profissionais, estudantes e representantes de instituições públicas e privadas ligadas à área. A iniciativa conta com o apoio do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), reforçando o compromisso com a difusão do conhecimento científico e o avanço tecnológico no uso pacífico da energia nuclear.
Com foco em temas como energia limpa, saúde, inovação, sustentabilidade e segurança radiológica, o evento deve reunir especialistas de diferentes regiões do país para discutir os desafios e oportunidades que envolvem o setor nuclear no Brasil. A programação incluirá palestras, painéis e atividades voltadas à integração entre academia, indústria e governo, destacando a importância da energia nuclear no cenário energético nacional e sua contribuição para o desenvolvimento socioeconômico e tecnológico do país.
As informações completas sobre local, programação e inscrições serão divulgadas em breve pelos canais oficiais da ABEN. A expectativa é que o evento se consolide como um espaço relevante de troca de experiências, atualização científica e articulação institucional, promovendo o reconhecimento da energia nuclear como ferramenta essencial para o futuro sustentável do Brasil.
Fonte: ABEN_nuclear
O Laboratório Químico-Farmacêutico da Aeronáutica (LAQFA) retomou a produção do Iodeto de Potássio 130 mg, um medicamento considerado essencial em situações de emergência nuclear ou radiológica. A iniciativa fortalece a soberania nacional e garante o fornecimento estratégico desse antídoto, que antes era importado pelo Ministério da Saúde. Utilizado para proteger a glândula tireoide contra a absorção de iodo radioativo, substância presente em possíveis acidentes com materiais nucleares, o medicamento é fundamental para ações rápidas de proteção da população.
A produção foi concluída em maio de 2025, com a entrega de 305 mil comprimidos ao Estoque Estratégico do Ministério da Saúde, localizado em Angra dos Reis (RJ). Além disso, foram destinadas 36 mil unidades para uso da Força Aérea Brasileira (FAB) e outros agentes de defesa em treinamentos e operações voltados à resposta a ameaças químicas, biológicas, radiológicas e nucleares (QBRN).
Todo o processo de fabricação segue rigorosos padrões de qualidade, incluindo testes de estabilidade, controle de qualidade e aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sob o número de registro 1.12330050.001-8. A retomada do antídoto pelo LAQFA representa um avanço significativo na autonomia farmacêutica nacional, assegurando que o país esteja preparado para agir com agilidade diante de eventos críticos envolvendo radiação.
Essa iniciativa reafirma o papel estratégico da FAB e do LAQFA no fortalecimento das capacidades do Brasil em situações de emergência, consolidando o laboratório como um dos pilares da infraestrutura de defesa e saúde pública do país.



Fonte: Força Aérea Brasileira (FAB)
Você sabia que é possível restaurar obras de arte utilizando radia
ção? O Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), em parceria com o Acervo dos Palácios do Governo de São Paulo, inaugurou a exposição São Jerônimo, que apresenta uma escultura restaurada com o uso de radiação ionizante. A técnica, fruto de mais de 20 anos de pesquisa desenvolvida no próprio instituto, representa uma inovação na preservação do patrimônio histórico e artístico.
O método consiste na aplicação controlada de radiação ionizante, capaz de eliminar microrganismos e reforçar a estrutura interna de peças danificadas. Essa abordagem já foi utilizada com sucesso na conservação de livros, documentos e objetos históricos de outros museus importantes, como o Museu do Ipiranga. Agora, o público poderá conhecer de perto os resultados dessa união entre ciência e arte, em uma mostra que valoriza tanto o conhecimento científico quanto o legado cultural.
A exposição está aberta à visitação no Espaço Cultural Marcello Damy, no IPEN, em São Paulo, em datas específicas: 8, 15, 22 e 29 de julho, e 5 e 12 de agosto, sempre das 10h às 11h30. As visitas são gratuitas, mas é necessário realizar agendamento prévio, com inscrições disponíveis até a sexta-feira anterior a cada data, às 16h, por meio do site do IPEN.
A iniciativa reforça o papel da tecnologia nuclear em aplicações pacíficas e relevantes para a sociedade, demonstrando como a ciência pode contribuir para preservar e recuperar bens culturais de grande valor histórico.
Fonte: aben_nuclear (Instagram)
A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) participa da 76ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), com uma programação especial no evento “Ciência Arretada”, que acontece de 13 a 19 de julho de 2025 no campus da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), em Recife. Voltada ao público jovem e familiar, a atividade integra a SBPC Jovem e promete aproximar a população das diversas aplicações da energia nuclear no cotidiano, de forma acessível, interativa e educativa.
No estande da CNEN, os visitantes encontrarão uma série de atrações que combinam ciência, diversão e conhecimento. Entre os destaques estão jogos educativos, maquetes em 3D, microscópios com visualização de células e modelos interativos que explicam o funcionamento de tecnologias nucleares. Também serão apresentadas demonstrações sobre o uso da radiação na medicina, com foco nos radiofármacos utilizados para diagnóstico e tratamento de doenças, além de informações sobre como a radiação é aplicada na conservação de alimentos, no controle ambiental e na geração de energia.
Com linguagem simples e mediadores preparados para dialogar com públicos de todas as idades, a CNEN reforça seu compromisso com a divulgação científica e com a valorização do conhecimento como ferramenta de transformação. A proposta é mostrar que a energia nuclear está presente em diversas áreas da vida moderna e que, quando utilizada com responsabilidade, contribui significativamente para o bem-estar da sociedade.
A participação da CNEN na SBPC 2025 é um convite aberto à curiosidade: tecnologia de ponta, ciência acessível e um estande cheio de experiências para quem quer aprender brincando. A entrada é gratuita, e o evento é aberto ao público.
Fonte: cnen_mcti (Instagram)
O Brasil anunciou o início de um ambicioso projeto para desenvolver microrreatores nucleares totalmente nacionais. Liderada pela Diamante Geração de Energia, a iniciativa conta com a participação das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), da startup Terminus, de nove universidades e institutos, incluindo IPEN/CNEN, IEN/CNEN, UFMG, UFSC, UFC, UFABC, Inatel, Amazul e a Marinha e é financiada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Finep, com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
Com orçamento total de R$ 50 milhões — R$ 30 milhões aportados pela Finep e R$ 20 milhões de contrapartida privada, o projeto tem duração prevista de três anos. A INB, além de fornecer o combustível nuclear, coordenará atividades de engenharia nuclear e suporte administrativo, assumindo papel central na dinâmica do grupo.
No escopo das atividades técnicas, o IPEN/CNEN ficará responsável pelo desenvolvimento de materiais críticos, como moderadores (óxido de berílio e grafita) e barras de controle (carbeto de boro), além de explorar ligas inovadoras com urânio, berílio e nióbio por meio de manufatura aditiva. Já o IEN/CNEN retomará pesquisas subcríticas iniciadas nas décadas de 1960/70, realizando testes de neutrônica, instrumentação e validação de modelos teóricos de reatores compactos.
O projeto contempla duas frentes principais. A primeira é a construção de uma Unidade Crítica (UCri), com potência de aproximadamente 100 W, que servirá para testes de segurança e física reatorial. Em paralelo, estão previstas instalações termohidráulicas e termomecânicas, além da fabricação de materiais para um reator modular de cerca de 3 MW, alojado em container de 40 pés, com operação remota por até 10 anos sem reabastecimento.
Os microrreatores prometem entregar uma energia limpa, segura e de baixa pegada de carbono a comunidades isoladas, hospitais, indústrias, hidrogênio verde, data centers e carregadores de veículos elétricos. Um único reator de 5 MW pode atender até 5 000 habitantes abrangendo potencial para atender cerca de 68% dos municípios brasileiros.
O projeto é inédito no Brasil por apostar em um desenvolvimento completamente autóctone e não em adaptação de tecnologia estrangeira. Seu nível tecnológico atual é equivalente ao TRL 3 (validação por modelagem), com meta de atingir TRL 6 (demonstração em ambiente relevante) ao término do ciclo de três anos.
Autoridades envolvidas, incluindo a ministra Luciana Santos, o presidente da Finep Elias Ramos, o presidente da CNEN Francisco Rondinelli Júnior, o presidente da INB Adauto Seixas e o CEO da Diamante Pedro Litsek, realçaram que o projeto representa um marco estratégico para o futuro da matriz energética brasileira e para a autonomia tecnológica do país. Espera-se que os primeiros microrreatores comerciais de 5 MW, encapsulados em containers, estejam operando entre 2033 e 2035, trazendo impactos significativos para a redução do uso de geradores a diesel, diminuição de emissões de CO₂ e fortalecimento da soberania energética em regiões remotas.
Com esta iniciativa, o Brasil projeta-se como protagonista global no setor de energia nuclear modular, ampliando sua tradição no campo e reforçando sua posição estratégica rumo a uma matriz limpa e diversificada.
Fonte: Revista Pesquisa Fapesp
