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O físico Giovanni Laranjo de Stefani, professor do Programa de Engenharia Nuclear da Coppe/UFRJ, apresentou os avanços e desafios das pesquisas brasileiras envolvendo o tório como combustível para a geração de energia nuclear. Em entrevista ao Poraquê, o pesquisador destacou a trajetória nacional de estudos sobre o elemento e as possibilidades abertas por novos ciclos de combustível.

O Brasil possui recursos relevantes de tório e desenvolve pesquisas na área desde a década de 1950. Diferentemente do urânio utilizado convencionalmente como combustível, o tório-232 não é naturalmente físsil, mas pode absorver nêutrons dentro de um reator e dar origem ao urânio-233, que pode ser empregado como combustível nuclear.

Segundo Stefani, o interesse pelo elemento vai além da possibilidade de substituir o urânio. As pesquisas investigam configurações capazes de melhorar o aproveitamento dos recursos naturais, estratégias de reciclagem e ciclos que podem apresentar um perfil diferente de rejeitos radioativos de longa vida.

Pesquisa desenvolvida na UFRJ

Stefani coordena o Laboratório de Design de Reatores (LaboraThorium), inaugurado em 2025 e dedicado ao projeto e à análise de tecnologias nucleares inovadoras. Entre as linhas investigadas estão pequenos reatores modulares (SMRs), microrreatores, reatores de nova geração, física de reatores, modelagem neutrônica e mutifisica, otimização de parâmetros de projeto e combustíveis avançados.

O pesquisador também integra o Grupo de Pesquisa do Tório da UFRJ, criado em 2021, e lidera a Rede Nacional de Pesquisa em Tório, que busca aproximar universidades, institutos de pesquisa e organizações do setor nuclear em torno de uma agenda conjunta de desenvolvimento científico e tecnológico.

Apesar do potencial, Stefani ressalta que ainda existem desafios importantes antes de uma utilização industrial ampla do tório. Entre eles estão o desenvolvimento e a qualificação de combustíveis, a criação de uma cadeia de fabricação e fornecimento, a validação experimental das tecnologias e questões econômicas e regulatórias.

Para o pesquisador, avançar nos estudos representa também uma oportunidade estratégica para o Brasil, reunindo recursos minerais disponíveis no país, conhecimento científico acumulado e formação de recursos humanos especializados para investigar novos caminhos para a energia nuclear.

Fonte: PORAQUÊ

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