Duas estudantes de escolas públicas do estado do Rio de Janeiro estão tendo a primeira experiência no universo da pesquisa científica no Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), vinculado à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Gabriela Paixão Cardoso, do curso técnico em Química integrado ao Ensino Médio no Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), e Luisa Muniz de Oliveira, aluna da Escola Estadual Tia Lavô, foram selecionadas pelo edital Jovens Talentos 2025, da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), e iniciaram, em 1º de julho, um estágio de dois anos no Laboratório de Nanorradiofármacos do IEN, localizado na Ilha do Fundão.
Sob a orientação do pesquisador e farmacêutico Ralph Oliveira-Santos, coordenador do Laboratório, as jovens terão contato direto com o desenvolvimento de pesquisas científicas voltadas à área da saúde, com destaque para o estudo de nanorradiofármacos utilizados no diagnóstico e tratamento de doenças como câncer, Alzheimer e Parkinson. O laboratório atua na criação de medicamentos com elementos radioativos e no aperfeiçoamento de técnicas de imagem para diagnóstico precoce, como cintilografia e PET Scan.
Para o coordenador, a presença de estudantes ainda no Ensino Médio contribui tanto para a formação das alunas quanto para a dinâmica da equipe de pesquisa. “Elas passam a integrar um grupo de 30 bolsistas e terão contato com todas as etapas do trabalho no laboratório. É uma oportunidade rara para estudantes tão jovens, que dificilmente teriam acesso a esse tipo de conhecimento técnico em outro lugar. Acreditamos que serão grandes embaixadoras da ciência nuclear, área estratégica para o país e de profundo impacto social”, destacou Oliveira-Santos.
Gabriela Paixão afirma que o estágio será essencial para consolidar sua formação científica. “Espero aprender desde os fundamentos teóricos até as técnicas práticas na síntese de nanopartículas, além de adquirir conhecimento sobre segurança radiológica e boas práticas de laboratório. Quero desenvolver uma visão crítica da pesquisa e aprimorar minha capacidade de atuar em equipe”, relatou a estudante do IFRJ.
Já Luisa Muniz, ainda no primeiro ano do Ensino Médio, está entusiasmada com o ambiente científico. “Tenho grande interesse em como a ciência pode ajudar na saúde das pessoas. Mesmo tendo pouco conhecimento técnico por enquanto, estou motivada a aprender e entender melhor a rotina de um laboratório como o do IEN. Acredito que essa experiência vai ampliar minha visão sobre ciência, tecnologia e inovação”, declarou.
A iniciativa, além de contribuir para a formação de novos talentos na ciência, promove inclusão e oportunidades para estudantes da rede pública, estimulando vocações científicas desde cedo e fortalecendo o papel estratégico da pesquisa na transformação social.
Fonte: FAPERJ










