O físico nuclear Aquilino Senra, professor do Departamento de Engenharia Nuclear da UFRJ, manifestou preocupação quanto à insatisfação dos trabalhadores das usinas nucleares de Angra dos Reis. Para ele, a força de trabalho é um componente essencial da cultura de segurança nuclear, e a falta de atenção a essa questão pode representar riscos.
A declaração surge em meio a relatos de vazamento de líquido refrigerante no núcleo do reator de Angra 2, confirmado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen). Embora a Eletronuclear negue o incidente, a Cnen está monitorando a situação e afirmou que o vazamento se mantém estável e não compromete os critérios de segurança.
Aquilino Senra destacou a necessidade de maior transparência sobre o volume do vazamento e questionou a falta de selos sobressalentes na usina. Segundo o professor, é crucial que a Cnen não apenas acompanhe o caso de perto, mas também esclareça os protocolos técnicos adotados.
A preocupação com o “clima organizacional” também foi levada ao Gabinete de Segurança Institucional, revelando um cenário de insatisfação entre trabalhadores das usinas de Angra. O Stiepar, sindicato da categoria, relatou dificuldades enfrentadas pelos servidores, e um grupo de 27 supervisores formalizou queixas sobre a perda de direitos trabalhistas.
Para o professor, “a cultura de segurança nuclear depende diretamente da motivação e do comprometimento da força de trabalho”. Ele alerta que, se a situação continuar a ser ignorada, o cenário pode se agravar, trazendo riscos não só operacionais, mas também à segurança da população.
Fonte: R7 - Natália Martins










