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O maior acidente radiológico da história ocorrido fora de uma usina nuclear continua sendo um marco para a ciência, a proteção radiológica e a gestão de emergências no Brasil. Em uma entrevista especial, o Dr. Walter Mendes Ferreira, físico e especialista em proteção radiológica, compartilha os bastidores de sua atuação no Acidente Radiológico de Goiânia, ocorrido em 1987, quando uma fonte de césio-137 provocou um grave episódio de contaminação.
Na conversa, o pesquisador relembra os desafios enfrentados pela equipe técnica desde a identificação da fonte radioativa até as ações de contenção da contaminação, destacando a importância da atuação rápida e coordenada dos profissionais envolvidos. Walter Mendes foi o responsável por identificar tecnicamente que o material encontrado apresentava altos níveis de radiação, permitindo o início das medidas de emergência que evitaram consequências ainda maiores.
Além do relato histórico, a entrevista aborda a evolução da proteção radiológica, dos protocolos de segurança e da preparação para emergências nucleares e radiológicas ao longo das últimas décadas. O conteúdo também ressalta a relevância da formação de profissionais qualificados e da conscientização da sociedade sobre o uso seguro das tecnologias que envolvem materiais radioativos.
O depoimento oferece uma oportunidade para compreender os aspectos técnicos, científicos e humanos de um dos episódios mais importantes da história da energia nuclear no Brasil, contribuindo para preservar a memória do acidente e reforçar a importância da segurança radiológica.
Assista à entrevista completa AQUI
O desenvolvimento de novas tecnologias para geração de energia limpa, segura e eficiente tem colocado o tório no centro das discussões sobre o futuro da energia nuclear. Considerado uma alternativa promissora ao urânio, o elemento apresenta vantagens relacionadas à abundância de reservas, segurança operacional e potencial para redução de resíduos radioativos de longa duração.
No Brasil, a Coppe/UFRJ ocupa posição de destaque nesse cenário por meio das pesquisas desenvolvidas no Laboratório de Design de Reatores (LaboraThorium), coordenadas pelo professor Giovanni Laranjo de Stefani, do Programa de Engenharia Nuclear. Os estudos integram uma ampla rede de pesquisa dedicada ao desenvolvimento de tecnologias nucleares avançadas baseadas no uso do tório.
As investigações envolvem aplicações em reatores de Geração III+ e Geração IV, pequenos reatores modulares (SMRs), microrreatores e sistemas inovadores capazes de ampliar a segurança, a eficiência energética e a sustentabilidade da geração nuclear. Entre as linhas de pesquisa está o estudo do ciclo do tório (Th-232 para U-233), considerado uma das alternativas mais promissoras para a próxima geração de reatores nucleares.
Além do desenvolvimento de novos conceitos de reatores, os pesquisadores analisam a viabilidade da utilização de combustíveis à base de tório em tecnologias já existentes, buscando soluções que possam aproveitar a infraestrutura nuclear atual e, ao mesmo tempo, reduzir impactos ambientais e aumentar o aproveitamento energético dos combustíveis.
O Brasil possui uma das maiores reservas de tório do mundo, fator que amplia o potencial estratégico dessas pesquisas para o fortalecimento da soberania energética nacional e para a consolidação de tecnologias desenvolvidas no país. Nesse contexto, a atuação da Coppe contribui para posicionar a universidade na fronteira do conhecimento em engenharia nuclear e inovação energética.
As pesquisas desenvolvidas pelo LaboraThorium reforçam o compromisso da Coppe com a busca por soluções tecnológicas voltadas aos desafios energéticos do futuro, integrando ciência, inovação e desenvolvimento sustentável em uma área considerada estratégica para as próximas décadas.
FONTE: COPPE UFRJ
Pesquisadores, estudantes e profissionais da área já podem submeter trabalhos para o 2º Congresso Latino-Americano de Dosimetria de Estado Sólido e Medições de Radiação (LASSD 2026), evento que reunirá especialistas e instituições de diversos países para discutir avanços científicos e tecnológicos relacionados à dosimetria e às medições de radiação.
O congresso tem como objetivo promover a troca de conhecimentos, fortalecer redes de colaboração e ampliar a visibilidade das pesquisas desenvolvidas na América Latina, reunindo a comunidade científica em torno de temas estratégicos para a área nuclear e suas aplicações.
Além da apresentação de trabalhos científicos, o LASSD 2026 proporcionará oportunidades de interação entre pesquisadores experientes, estudantes e profissionais do setor, estimulando o desenvolvimento de novas parcerias e projetos de pesquisa.
Os autores interessados poderão submeter seus resumos até o dia 15 de julho de 2026. Os trabalhos aprovados terão a oportunidade de ser apresentados durante o congresso e poderão concorrer à publicação em uma edição especial da revista Applied Radiation and Isotopes (ARI), referência internacional na área de Ciência e Tecnologia Nuclear.
O evento reafirma seu compromisso com a disseminação do conhecimento científico e com o fortalecimento da comunidade latino-americana dedicada à dosimetria de estado sólido e às medições de radiação.
Datas importantes:
• 15 de julho de 2026 – Prazo para submissão de resumos;
• 30 de agosto de 2026 – Notificação de aceitação dos trabalhos;
• 21 de setembro de 2026 – Prazo para inscrição antecipada.
Fonte: LASSD 2026.

A Secretaria de Segurança Nuclear, Qualidade e Normas (SecNSNQ) participou, no dia 15 de junho, do exercício internacional ConvEx-2a, promovido pelo Centro de Incidentes e Emergências (IEC) da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A iniciativa teve como objetivo avaliar a capacidade de resposta, coordenação e comunicação das autoridades nacionais diante de cenários simulados de emergências nucleares e radiológicas.
A atuação da SecNSNQ ocorreu de forma remota, a partir do Centro de Acompanhamento de Resposta a Emergências Nucleares e Radiológicas Navais (CARE), localizado na Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro. Para a atividade, foi mobilizada uma equipe multidisciplinar composta por especialistas da Marinha do Brasil nas áreas de Proteção Radiológica, Segurança Nuclear, Inteligência, Assistência Médica a vítimas de acidentes radiológicos, Comunicação Social e Operações Navais.
O exercício ConvEx-2a integra uma série de treinamentos internacionais conduzidos pela AIEA com foco no aprimoramento dos mecanismos de notificação, coordenação e troca de informações entre países participantes. Nesta edição, a segunda com participação da SecNSNQ em 2026, os envolvidos receberam três mensagens sequenciais que simulavam um cenário em evolução, envolvendo uma usina nuclear ou um evento radiológico, exigindo respostas técnicas e institucionais em tempo oportuno.
Durante o exercício, as Autoridades Competentes precisaram preencher e encaminhar formulários internacionais por meio do sistema USIE (Unified System for Information Exchange in Incidents and Emergencies), plataforma oficial da AIEA destinada ao intercâmbio de informações sobre incidentes e emergências nucleares e radiológicas.
A participação da SecNSNQ reforça o compromisso da Marinha do Brasil com a manutenção de elevados padrões de segurança nuclear naval, além de fortalecer a capacidade nacional de resposta coordenada em situações de emergência. O treinamento também contribui para o aperfeiçoamento contínuo dos protocolos de comunicação, análise de cenários e tomada de decisão, alinhados às diretrizes internacionais estabelecidas pela AIEA.
Fonte: Linkedin
A energia nuclear ocupa um papel estratégico no cenário global contemporâneo, reunindo avanços científicos, desafios tecnológicos e importantes responsabilidades sociais e ambientais. Muito além da geração de eletricidade, as tecnologias nucleares estão presentes em diversas áreas, como medicina, agricultura, indústria, pesquisa científica e preservação ambiental.
O tema é abordado no artigo “Energia nuclear: ciência, poder e responsabilidade”, que apresenta uma reflexão sobre a trajetória da energia nuclear, desde suas descobertas científicas até suas aplicações atuais. O texto destaca como o domínio dessa tecnologia representa um importante instrumento de desenvolvimento, exigindo elevados padrões de segurança, regulação e compromisso ético por parte das instituições e profissionais envolvidos.
A publicação também discute o papel da energia nuclear no contexto da transição energética, ressaltando sua capacidade de gerar grandes quantidades de energia com baixas emissões de gases de efeito estufa. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de um debate amplo e qualificado sobre temas como gestão de rejeitos radioativos, segurança operacional e uso responsável das tecnologias nucleares.
No Brasil, instituições de pesquisa, universidades e órgãos do setor nuclear contribuem para o desenvolvimento científico e tecnológico da área, promovendo inovação, formação de recursos humanos e aplicações voltadas ao benefício da sociedade. A discussão sobre energia nuclear evidencia a importância de aliar conhecimento científico, transparência e responsabilidade na construção de soluções para os desafios energéticos do futuro.
Fonte: Agudos